terça-feira, 30 de agosto de 2011

Jornais defendem conteúdo pago na internet

Executivos de Folha, Estado, Infoglobo, Lance! e RBS levantaram discussão durante fórum da ANJ


O painel sobre os próximos cinco anos da indústria de jornal no Brasil se transformou na defesa de gerar receita com a cobrança de conteúdo nas diversas plataformas digitais onde o meio tem marcado presença. Com executivos da Folha de S.Paulo, Infoglobo, Grupo Estado, RBS e Lance!, o debate integra o VIII Seminário Nacional de Circulação da ANJ (Associação Nacional dos Jornais), que acontece entre os dias 29 e 30 de agosto, em São Paulo.

Silvio Genesini, diretor-presidente do Grupo Estado e coordenador da comissão de estratégias digitais da ANJ, foi o mais assertivo: "Não vai dar para viver de publicidade. Ela não cresce em um ritmo excepcionalmente grande, está dividida e é muito instável". Para efeito de comparação, o executivo citou a expansão do jornais conhecidos como "populares" que, segundo ele, vivem de banca de jornal.


A saída para o quadro seria o aumento da circulação. Segundo dados da PricewaterhouseCoopers, citados por Genesini, 48% da receita dos jornais norte-americanos em 2010 vieram da circulação, ante 38% em 2005, demonstrando a expansão. Em 2014, o percentual chegará a 49%. A baixa penetração, cerca de cinco leitores de jornal a cada 100 habitantes, é uma oportunidade aos olhos do segmento. "Nós precisamos cobrar. Nós não temos mais a alternativa de viver de publicidade", afirmou. Como exemplo, Genesini usou dados do jornal New York Times, que hoje vive com 40% da receita proveniente da circulação, 39% de publicidade impresso, 14% digital e 7% de outros. Em 2005, a publicidade offline respondia por 61%, a digital 5%, enquanto circulação era apenas 27%.


Para Walter de Mattos Junior, diretor-presidente do grupo Lance! e vice-presidente da ANJ, onde responde pelo comitê de mercado leitor, os veículos trabalham em um formato, com produtos grátis, que acabam por se tornar competidores de si próprio, além de, externamente, enfrentar a concorrência de portais, a exemplo de UOL e Terra. "Para cobrar você tem que ter valor. Uma vez com isso, não pode dar de graça. Fizemos sites atraentes, com tecnologia. Mas isso não atraente para conseguir retorno publicitário que tornasse o negócio sustentável de graça", disse.


Marcello Moraes, diretor geral da Infoglobo, afirmou que é preciso aproveitar o "tempo" que o País ainda tem para analisar o que está sendo feito fora, testar e adaptar às características brasileiras. "A proposta é trazer o modelo do New Your Times lá para cá, principalmente para o Globo, olhar o nosso negócio, vê se de que forma este modelo ou um parecido com este pode ser implementado dentro dos nossos produtos. Lembrando que estes modelos precisam ser adaptados ao Brasil". segundo ele, o início dos testes está previsto para começar nos próximos seis meses.


O diretor-superintendente do Grupo Folha, Antônio Manuel Teixeira Mendes, se mostrou o mais acanhado com os projetos de cobrança. "Se você cria uma dificuldade não terá nem a audiência (público leitor) nem publicidade. É ver como vai conciliar", disse. Para Genesini, quanto mais tempo a indústria de jornais demorar, mas difícil será. "Nós estamos atrasados. Quanto mais nós demorarmos para tomar uma decisão, mais iremos demorar para encontrar solução. Mattos Junior, do Grupo Lance! defende uma ação coletiva para a discussão. "Um movimento da indústria como um todo para que se comece a estabelecer tentativas, processos de testes de venda de conteúdo". Para ele, não existe um modelo único, e sim variável de acordo com cada plataforma.


por Marcos Bonfim

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