sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O impresso morreu? Não, só está de mudança para a web

Dados recentes publicados pelo portal eMarketer comprovam uma realidade que não pode mais ser ignorada: a indústria do impresso está se enfraquecendo rapidamente. Entre 2010 e 2009, registrou-se uma queda de 9% no tempo dedicado à leitura de jornais e revistas. E, quando comparamos 2009 com 2008, observamos uma redução de 12%. Suponho que nem todo mundo frequenta aulas de leitura dinâmica. Dessa forma, os jornais não estão perdendo apenas os leitores, mas, também, a paciência deles.


Ainda de acordo com o eMarketer, um norte-americano médio dedica apenas 30 minutos do seu dia para ler jornais. E reserva 20 minutos diários para revistas. É muito pouco se comparamos com as quatro horas gastas com TV e vídeo ou com as duas horas e meia que passam navegando na internet.


Por outro lado, Mobile e Internet ocupam cada vez mais o espaço dos veículos impressos. No ano passado, a navegação por tablets e smartphones aumentou em 28,2%, alcançando 50 minutos de média diária. Já no caso de desktops e laptops, o crescimento foi de 6,2%, chegando a duas horas e trinta e cinco minutos por dia.


Mas isso não quer dizer que o declínio do impresso significa quea indústria da notícia está com os dias contados. Uma pesquisa publicada em setembro pelo Centro de Pesquisas Pew constatou que os norte-americanos cada vez mais obtêm informações jornalísticas na rede mundial de computadores. O levantamento mostra que 34% dos internautas declararam obter, no dia anterior à publicação em jornais, notícias a partir de sites na internet. Apenas 31% dos entrevistados responderam que recebem as notícias de jornais impressos.


Por essa razão, ressalto que os jornais e revistas não vão desaparecer. No entanto, devemos nos deparar com uma mudança naquilo que conhecemos como veículos impressos. À medida que a visualização de notícias em versões online disponíveis em tablets e smartphones cresce na preferência das pessoas, fica mais nítido como se torna obsoleto o papel.


Aponto duas razões para esse novo cenário. Em primeiro lugar, os jornais entregam, sem exagero algum, as notícias de ontem. A segunda razão tem a ver com toda operação de impressão e distribuição. Além de cara e extremamente complexa, os leitores já podem fazer em poucos segundos o download do mesmo conteúdo que será impresso de madrugada e estará nas bancas pela manhã.


A indústria da notícia tem um grande desafio pela frente. Estou me referindo à discrepância entre os modelos de negócios nos ambientes offline e online. Hoje em dia, os preços da publicidade digital são bem mais baixos que os anúncios na mídia impressa. Tenho a impressão que os jornais negociam dólares. Enquanto isso, no ambiente online, são contabilizados centavos. Para mudar essa realidade, deve-se imaginar um modo de tornar os anúncios bem mais atraentes nos sites de jornais e revistas.


Se os telespectadores assistem a intervalos comerciais de 30 segundos na televisão, por que os anúncios online deveriam se prender ao formato do impresso no ambiente online? Acredito que os leitores que veem anúncios de página inteira também visualizariam, por exemplo, na tela de um tablet, um anúncio no formato de spot para TV. Há um mundo de possibilidades a ser explorado ainda. E deixo um alerta: até o jornais de distribuição gratuita podem ficar sem fundos algum dia.


Por Ariel Geifman, analista de Pesquisas da MediaMind

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