quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Paredão reprova carros latinos

Carros vendidos no Brasil são avaliados em crash-test e os resultados continuam a ser preocupantes


Em segurança, os carros vendidos na América Latina são equivalentes aos modelos europeus de 20 anos atrás. Foi com esta conclusão preocupante que a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) revelou os resultados da terceira bateria de crash-tests do Latin NCAP.
O Programa de Avaliação de Carros Novos na América Latina testou oito carros vendidos no mercado latino-americano: Toyota Etios, JAC J3, Renault Sandero e Fluence, Ford New Fiesta, Honda City e os VW Polo e Bora, sedã ainda comercializado no México.
O destaque negativo foi o JAC J3. Nem os dois airbags ajudaram o hatch a somar mais que uma estrela das cinco possíveis no teste de colisão. Isso mostra que apenas as bolsas de ar não são suficientes para garantir que um carro seja seguro, e que J3 tem problemas estruturais.
“Não há uma boa estrutura. A cabeça e o tórax atingem o volante porque o airbag se moveu para o lado. Muito preocupante”, analisa Ronald Vroman, do conselho de Administração do Euro NCAP.
Outro carro que mostra como os projetos brasileiros estão atrasados em relação aos americanos e europeus é o Sandero. Sem airbags, item de segurança que será obrigatório no país apenas a partir de 2014, o modelo teve uma estrela. Também pesou na avaliação o desempenho instável da carroceria.
Pelo menos na ponta de cima da tabela houve uma surpresa positiva. O recém-lançado Toyota Etios hatch estreou com quatro estrelas em proteção para adultos. É a primeira vez que um carro de entrada alcança esse nível de segurança.
Também obtiveram quatro estrelas o New Fiesta hatch, Honda City, VW Polo hatch e Renault Fluence. O VW Bora, por sua vez, obteve apenas três. Ainda assim, não há motivo para comemoração. Na Europa e nos Estados Unidos, onde os testes de colisão são feitos por órgãos independentes há mais de 20 anos, praticamente todos os carros somam cinco estrelas. E oferecer segurança mínima para os ocupantes é considerado obrigação, não "vantagem".
Mas a terceira rodada trouxe outra boa notícia. Pela primeira vez, foram dadas quatro estrelas no quesito proteção para crianças - conquistadas por Ford Fiesta e Honda City. A grande diferença em ambos é o Isofix, aquele sistema de fixação de cadeirinhas de criança. Embora muito funcional, o componente não é obrigatório no país. “A legislação poderia ajudar: o Isofix é muito importante”, diz Vroman.
Três anos de cacetadas nos carros brasileiros
Verdade seja dita: este ano, os resultados do Latin NCAP foram menos assustadores. Em 2010, na primeira bateria de testes, dos dez carros avaliados quatro obtiveram apenas uma estrela - VW Gol Trend 1.6, Peugeot 207 e os Fiat Palio ELX e Uno, todos em configuração sem airbags. Mas o resultado mais comentado daquele ano foi o do chinês Geely CK 1 1.3, que não obteve nenhuma estrela sequer.
Em 2011, o Nissan March  com airbag se saiu mal e teve duas estrelas. Pelo menos o compacto se saiu melhor que Celta, o já aposentado Corsa Classic e o Ka, que tiveram nota mínima. Mas, nesses três anos, nem todos tiveram desempenho pífio. É o caso de Corolla XEI, em 2010, e de Chevrolet Cruze LT, Ford Focus e Nissan Tiida, em 2011. Cada um obteve quatro estrelas. 

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