quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Harley-Davidson usa o Rio Harley Days como isca para atrair novos seguidores



Quando William S. Harley e os irmãos Arthur e Walter Davidson decidiram criar sua própria motocicleta, em 1901, pensavam apenas em um produzir um veículo. Mal sabiam que estavam fundando uma espécie de religião, com seguidores praticantes ou simplesmente fãs. O espírito de liberdade exaltado pelas motos em geral assume uma proporção de estilo de vida no universo da Harley-Davidson. Ciente do próprio alcance, a empresa decidiu apostar em um evento que pode ser classificado como um encontro de motociclistas exclusivo para a marca. O evento, realizado na Marina da Glória, no Centro do Rio de Janeiro, entre 14 e 16 de setembro, foi a segunda edição do Rio Harley Days. A marca pretende que a cidade se torne uma das cinco no mundo a realizar o evento anualmente. 

O Harley Days é a principal ação de marketing da Harley-Davidson no Brasil. Mais que um feirão de fábrica metido a besta, a marca aposta numa programação onde todos os elementos do universo “harlista” estão presentes. Obviamente, isso acaba desembocando em vendas de motocicletas, mas também de roupas, acessórios, bandanas, etc. No mundo, são apenas cinco edições do Harley Days por ano. Antes do Brasil, este ano o evento foi realizado na Holanda, Espanha, Alemanha, Suíça e Croácia. Além da enorme loja da Harley-Davidson Motorclothes, o evento contou com test-rides de diversos modelos, apresentação de motos customizadas, estúdios de tatuagem, área de alimentação, shows de rock e exposição de motos para vendas. Havia ainda um espaço exclusivo para os H.O.G. – Harley Owners Group, o clube dos proprietários de motos da marca.


Ao longo de seus 109 anos de existência, a Harley-Davidson estabeleceu relações com muitos outros segmentos. Esteve presente até mesmo nos principais conflitos armados da história. Na Segunda Guerra Mundial, a exemplo de outros países, o Brasil adquiriu motocicletas da fabricante. Os batedores das forças nacionais utilizam motos da marca até hoje e também estiveram no Rio Harley Days. Montados em seus modelos Road King, os militares brasileiros fizeram manobras em um circuito demarcado por cones e adornado por veículos blindados de combate ao fundo. A exibição de técnica e habilidade de motociclistas dos Fuzileiros Navais, do Exército e da Aeronáutica arrancou aplausos do público, que exaltava também a performance das máquinas.
 

Naturalmente – ou não –, a Harley-Davidson cresceu relacionada aos mais variados aspectos da cultura mundial, como a música – e principalmente o rock. Não são raras as aparições do emblema da marca em camisas de artistas e na plateia. Em 2012 o objetivo foi transformar o evento em um festival muito mais sonoro. “ Fizemos desta uma edição mais musical para atrairmos pessoas além dos proprietários de nossas motos ”, diz o diretor superintendente da marca no Brasil, Longino Morawski. No sábado, após shows de Rolling Stones cover e da Rio Rock & Blues Band, tocando clássicos de todas as épocas do estilo, o grupo mineiro Skank se encarregou de encerrar a programação. Com um repertório repleto de sucessos, a banda manteve os público de pé até o último minuto. No dia seguinte a missão coube ao paulistanos do Ultraje a Rigor.

O Rio Harley Days teve mesmo cara de festival de rock. Mas evidentemente a marca não esqueceu de um dos principais objetivos da ação: conquistar novos clientes. “ Trazer fãs do motociclismo em geral aumenta as chances de eles se apaixonarem pelo universo Harley e se tornarem nossos clientes ”, explica Longino. Por isso, uma espécie de showroom também foi montado, misturando exposição de modelos com ponto de vendas. Os visitantes podiam ver de perto cada um dos modelos da Harley-Davidson e até mesmo posar para fotos sobre duas rodas. No mesmo salão, consultores realizavam vendas, com condições especiais de financiamento.
 

Segundo o vice-presidente geral de merchandise da Harley-Davidson, Patrick Smith, a marca vê o Brasil como um importante mercado dentro de um contexto mundial. “ Temos um plano de crescimento global e o Brasil é um país-chave nessa estratégia ”, afirma. A empolgação de Patrick é justificada pelos números. De acordo com a Fenabrave, a marca vendeu 4.322 motos em 2011. Neste ano, apenas no acumulado de janeiro a agosto, já foram comercializadas 4.438 motocicletas. Caso seja mantida a média de 550 unidades vendidas por mês, o ano de 2012 vai superar os 6 mil emplacamentos projetados pela subsidiária brasileira.

Se o Brasil é importante para o crescimento mundial da empresa, o Rio Harley Days tem papel fundamental no aumento da presença da marca no mercado nacional. Para a fabricante, o caminho a ser trilhado passa por atrair cada vez mais público para o evento. Neste ano, foram vendidas 60 motocicletas nos três dias de Harley Days na Marina da Glória, no Rio. A única concessionária da marca na cidade vende mensalmente 100 unidades. Entre os maiores mercados da fabricante no mundo, o Brasil fechou o ano de 2011 na 8ª posição. A expectativa é encerrar 2012 no 5º lugar. Para isso, a Harley-Davidson explora a imagem que criou. E lança a isca, combinando acordes de guitarra ao ronco dos motores.
 
 
 
 

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