sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Contas do governo têm maior superávit para julho em 14 anos


As contas do governo registraram um superávit primário, que é a economia feita para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda, de R$ 11,1 bilhões em julho deste ano, informou nesta sexta-feira (26) a Secretaria do Tesouro Nacional. O resultado foi favorecido pelo pagamento de uma dívida em atraso de R$ 5,8 bilhões ao governo pela Vale no mês passado.

Segundo o governo, trata-se do maior esforço fiscal para meses de julho desde 1997, quando tem início a série histórica disponibilizada pelo Tesouro Nacional.

Até o momento, o maior resultado primário, para meses de julho, havia sido registrado em 2008 (R$ 7,2 bilhões). Em julho do ano passado, o superávit somou somente R$ 770 milhões, no que foi o pior resultado em dez anos.
'Surpresa fiscal'
O resultado de julho das contas públicas foi divulgado após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometer "surpresas fiscais" até o fim deste ano. A postura da equipe econômica, neste momento de crise, é pedir controle das contas públicas como forma de reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira e manter um "diferencial" para o Brasil em um momento de deterioração das contas públicas de outras economias, várias delas desenvolvidas.
Acumulado do ano e meta fiscal
No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, ainda segundo informações do Tesouro Nacional, o superávit primário das contas do governo somou R$ 66,92 bilhões, o equivalente a 2,91% do Produto Interno Bruto (PIB). Com isso, o superávit primário registrou forte crescimento de 160% sobre o resultado positivo de igual período do ano passado, quando somou R$ 25,67 bilhões, ou 1,25% do PIB. O bom desempenho das contas públicas neste ano está relacionado, principalmente, com o resultado da arrecadação, que bate recordes sucessivos em 2011.
O superávit primário do governo de R$ 66,9 bilhões de janeiro a junho deste ano representa o cumprimento de 81,7% da meta definida para o governo em todo este ano (R$ 81,8 bilhões). Em 2010, o governo cumpriu a meta de superávit primário, mas somente com a utilização de artifícios contábeis. Isso porque a capitalização da Petrobras no último ano inflou o superávit fiscal em R$ 31,9 bilhões. Sem a "ajuda" da Petrobras, as contas do governo teriam registrado um superávit primário bem abaixo da meta estabelecida para todo ano passado.
Receitas e despesas
Segundo números do Tesouro Nacional, as despesas estão crescendo menos do que as receitas no acumulado deste ano. De janeiro a julho, as receitas líquidas do governo somaram R$ 471,26 bilhões, com crescimento de 20,9% frenteao mesmo período do ano passado, ou R$ 81,32 bilhões de elevação.
Ao mesmo tempo, as despesas totais, o que inclui os gastos de custeio e os investimentos (que desaceleraram neste ano), somaram R$ 404 bilhões nos seis primeiros meses deste ano, com elevação de 11% frente ao mesmo período de 2010 (+R$ 364 bilhões). Neste caso, o crescimento foi de R$ 40 bilhões.
Investimentos param de crescer
Os dados do governo mostram que um dos fatores que pesou para o expressivo crescimento no superávit primário, no acumulado deste ano, foi a desaceleração dos investimentos - apesar das promessas de que as despesas com investimentos públicos não sofreriam contenção.
Em janeiro, os investimentos pagos cresceram 85% frente ao mesmo mês de 2010. No primeiro bimestre, o crescimento já havia sido menor, de 25%. Até março, a taxa de expansão havia recuado para 9% e, nos quatro primeiros meses deste ano, recuou novamente, para 5%. De janeiro a maio, os investimentos cresceram 1% e até junho avançaram 1,5%.
Já nos sete primeiros meses deste ano, informação divulgada nesta sexta-feira (26), os investimentos pararam de crescer. Registraram queda de 2,4%. De janeiro a julho de 2011, os investimentos pagos totalizaram R$ 25,1 bilhões. No mesmo período do ano passado, haviam totalizado R$ 24,5 bilhões.

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