quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ninguém pensou antes: propostas para a década automotiva

Fazer uma avaliação do atual progresso técnico e projetar o futuro da mobilidade tem sido uma preocupação recorrente no mundo inteiro. Não chega a ser uma preocupação nova, especialmente na Europa, onde existe uma longa tradição de estudar e divulgar os avanços em motores, segurança passiva e ativa, controle de emissões e, mais recentemente, tráfego inteligente, automação ao dirigir e eletromobilidade.


Uma das empresas que mais utiliza esse tipo de comunicação assertiva é a Bosch. Em Boxberg, Alemanha, a empresa promoveu recentemente o 60º encontro técnico internacional, realizado de dois em dois anos, com 330 jornalistas de 35 países.


Embora se saiba que o futuro aponte para a tração elétrica, as dúvidas são recorrentes sobre quando realmente isso acontecerá e quanto tempo haverá de convivência com os motores a combustão de combustível líquido, seja de forma independente ou coequipando híbridos convencionais ou plugáveis em tomadas.

Segundo o maior fabricante global de autopeças, em 2020 devem-se vender no mundo 103 milhões de automóveis e comerciais leves, cerca de 50% mais sobre 2010. Apenas 3 milhões deles, elétricos puros ou híbridos, e outros 6 milhões, híbridos convencionais. Então, haveria 100 milhões de motores convencionais novos deixando as lojas. Tal volume exige enorme esforço para diminuir o consumo de combustíveis fósseis e a consequente menor emissão de gás carbônico (CO2), a fim de controlar o indesejável aquecimento da atmosfera.
A Bosch afirma já existir tecnologia para motores consumirem 30% menos, mas ainda exige tempo de desenvolvimento. Um dos complicadores: encarecer os novos modelos. Uma boa comparação é a do Golf, automóvel de maior venda na Europa. Nas versões de entrada, a gasolina (TSI, de 1,2 litro) ou diesel (TDI, de 1,6 litro), ambos têm a mesma potência de 104 cavalos, com turbocompressor e injeção direta. Pelo ciclo europeu de consumo médio, menos severo que o dos Estados Unidos e do Brasil, o diesel gasta 20% menos combustível que a gasolina (25,6 km/l contra 20,4 km/l).
A complicação começa no preço do carro a diesel. Na Suíça, o TDI custa 30% mais que o TSI, o que exigiria rodar em torno de 35 mil quilômetros por ano, ou além, para amortizar a diferença, dependendo da relação de preço com a gasolina. Mesmo na Europa, com os combustíveis mais caros do mundo (cerca de R$ 3,5/litro), um motor a diesel precisa de longas distâncias para se viabilizar e as leis de emissões o tornarão ainda mais caro. Por isso, nos EUA, onde o combustível vale a metade, há rejeição econômica à opção diesel, bem como na maioria dos demais países (na Argentina, por exemplo, só 10%).
START-STOP
Novidade anunciada pela Bosch é a evolução do sistema start-stop (desliga-liga o motor com o carro parado). Quando pronto, permitirá desligamento automático toda vez que o motorista tirar o pé do acelerador, a menos de 120 km/h. A economia de combustível pode chegar a 25% em determinadas condições. Ninguém pensou nisso antes, desde os tempos do sistema de roda-livre, que não cortava o motor.

Com a tecnologia atual religa-se em 0,35 segundo, mas deve incluir direção elétrica no lugar da hidráulica, tendência que avança. Além de compressor elétrico para o ar-condicionado, um pouco mais adiante.

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