quarta-feira, 20 de junho de 2012

Carona eletrizante: veja como anda o táxi elétrico Nissan Leaf


Dentro de um táxi que foge do ordinário chama a atenção por onde passa, o motorista José Antonio Nunes até parece um artista famoso ou apresentador de algum programa de auditório. A bordo de uma das duas primeiras unidades do elétrico Nissan Leaf que rodarão em São Paulo levando e trazendo passageiros, é difícil passar desapercebido, como o iCarros verificou em setembro de 2011.
As duas unidades do modelo que já rodam na capital paulista o fazem parte de um programa piloto encabeçado pela Prefeitura de São Paulo, as montadoras Renault e Nissan, a AES Eletropaulo e a Adetax (Associação das Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo).
 A ideia é verificar se é viável ter carros elétricos rodando como táxis na cidade, que atualmente conta com uma frota de 35 mil veículos disponíveis na “praça”. Até agora, uma semana depois dos carros começarem a rodar, o plano vai muito bem, pelo menos para Nunes, que curte um momento de celebridade ao pilotar um táxi elétrico em São Paulo. “Me param na rua para perguntar sobre autonomia, funcionamento. Ficam olhando. O carro chama muita atenção”.
Nunes, que também dirigi um Renault Logan nos horários em que o Leaf recarrega suas baterias, conta que autonomia não é um problema. Em situações ideais de pilotagem e asfalto, a Nissan fala em uma capacidade de rodar até 160 km utilizando toda a bateria. Para “completar o tanque” com energia, a bateria pode ser recarregada no tempo de seis a oito horas na base de carregamento instalada na “Alô Táxi”, um das duas empresas que aceitaram participar do programa piloto em São Paulo. Isso não quer dizer que dá para comparar o sedã convencional com o carro elétrico: “Não tem termos de comparação, é como passar da água para o vinho”, conclui Nunes.
Enquanto mostra toda a tecnologia empregada no carro, acumulada em botões no painel, Nunes ainda conta que o modelo tem cumprido a missão de fazer 160 km, e que, na sua opinião, quando começar a rodar efetivamente como um táxi (até agora o carro só apareceu na mídia e em seminários) o Leaf“vai passar de 180 km de autonomia, com certeza”.
Para se ter uma noção em números do quão econômico é rodar com um carro elétrico, a AES Eletropaulo divulgou um levantamento que apontou uma redução de 81,88% no gasto com combustível, comparando gasolina e energia elétrica em um carro que roda 160 km. O gasto com gasolina (R$ 2,79/litro) é de R$ 39,25 já com energia é de R$ 7,11. A média entre etanol e energia elétrica também surpreende: comparando com um carro movido com combustível vegetal, que gasta R$ 33,70 para rodar 160 km, a redução é de 78,90%. 

O fato de o carro precisar no primeiro estágio do programa de até oito horas para carregar a bateria não atrapalha Nunes. O táxista comenta que é possível realizar pequenas recargas, o que é aconselhado pelos engenheiros da Nissan, durante o trabalho. “Eu posso parar para almoçar e deixar o carro carregando por 1 hora e meia e já recupero a autonomia que eu gastei na parte da manhã, por exemplo”. 

Nunes terminou o “passeio” levando a reportagem do iCarros até a sede da empresa em que trabalha, para conferirmos o funcionamento da estação de carregamento. Até agora são apenas duas, uma em cada empresa, mas até o final da primeira etapa do projeto, que deve durar três anos, serão instalados 15 postos, totalizando dez em empresas de táxi e cinco em concessionárias da Nissan na cidade de São Paulo. Segundo a Eletropaulo, a empresa vai investir R$ 1 milhão para instalar todos esses 15 postos de recarga e inspecionar se as redes elétricas das empresas que participam estão adequadas aos padrões de segurança. 

Será que a moda pega?

“Você está me perguntando se eu teria um carro desses?”, questiona o taxista durante a volta que o iCarros deu a bordo do Nissan Leaf, “Hoje eu não tenho condições, mas se eu compraria? Sim!”. 

Agora, se esse experimento vai para frente, só o tempo irá dizer. A Nissan não confirma se o carro chega ou não no Brasil, mas acaba de assinar um memorando de parceria com a Petrobras para estudar a expansão da infraestrutura para recarga de veículos elétricos por aqui, que ainda é muito pequena. Tudo bem que o país não vende nenhum carro elétrico ainda e nem tem leis de incentivo fiscal para modelos que não poluem o meio ambiente, mas o acordo de hoje mostra que o Brasil está cada vez mais perto de ter uma frota de carros silenciosos rodando nas ruas. 

Nos EUA, o carro parte de US$ 27.700 (aproximadamente R$ 56 mil), isso sem contar os descontos de incentivo fiscal que variam para cada estado no mercado norte-americano. Já no Brasil, o carro não chega tão cedo. Além de não ser homologado para ser vendido no mercado interno, a Nissan não fala se vai ou não trazer o carro. Outras marcas já vendem carros com tecnologia híbrida, combinando motores a combustão e elétricos, como é o caso do Ford Fusion Hybrid e o Mercedes-Benz S 400 Hybrid, que não se popularizaram no Brasil, mas já estão à venda há algum tempo. 

O taxista Jorge Ferreira, que está na “praça” há 28 anos, afirma que já “ouviu falar entre os colegas sobre a novidade, e também leu uma matéria sobre o Leaf”, na publicação que circula entre os motoristas de táxi. Mas Ferreira comenta que não sabe muito sobre o funcionamento do carro elétrico. O motorista destaca que “a maioria dos táxistas visam economia (de combustível), então, se o carregamento for barato valeria a pena sim ter um carro elétrico”. 

E você, leitor, está preparado para pagar uma corrida eletrizante?

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