sexta-feira, 4 de maio de 2012

BRF foca em desenvolvimento local para ampliar diálogo com comunidade

Em entrevista, Luciana Lanzoni, Diretora-Executiva do Instituto BRF fala sobre as iniciativas da organização, além dos desafios e perspectivas para os próximos anos

As consolidações que ocorrem em diversos setores da economia brasileira afetam, também, a lógica de atitude de marca das companhias envolvidas neste tipo de processo. Fusões e aquisições normalmente geram sobreposições de ações, programas e até mesmo causas. Neste sentido, um trabalho criterioso de arquitetura de iniciativas é fundamental para que o investimento possa manter sua eficácia sem perder o compromisso de longo prazo e o alinhamento à estratégia da marca resultante da união ou compra.

Um dos exemplos mais recentes deste contexto é o recém-lançado Instituto BRF, que organiza a gestão dos investimentos sociais realizados pela Brasil Foods. Conversamos com a diretora-executiva da entidade, Luciana Lanzoni, que esclareceu as prioridades e
desafios da organização para os próximos anos.

Com:Atitude: Quais são as prioridades de investimento do Instituto BRF?

Luciana Lanzoni:
Nosso foco reside no desenvolvimento local, que é de suma importância para uma empresa de alimentos de grande porte como a Brasil Foods. Acreditamos na nossa contribuição neste sentido. Porém, há vários desafios inerentes a essa proposta. O desenvolvimento de um município em um estado é totalmente diferente dos demais. Mesmo com essa diversidade de contextos existem “avenidas”, ou seja, eixos transversais por meio dos quais conseguimos trabalhar uma agenda positiva nas localidades. Não se trata de uma receita pronta.

C:A: E quais são essas “avenidas”?

LL:
Uma das nossas frentes estratégicas são as redes interssetoriais. Por meio delas, estimulamos junto às comunidades debates sobre as prioridades para cada região. Projetos como o Comunidade Ativa e o Laços de Proteção, em parceria com a Childhood, são exemplos deste eixo. Outra frente que trabalhamos é o fortalecimento do terceiro setor, em que chegamos a apoiar 8,6 mil pessoas. Em breve, lançaremos um programa estratégico com foco em controle social, inovação e assistência. Por fim, trabalhamos uma frente de políticas públicas, com projetos-piloto junto ao poder municipal. Neste caso, educação infantil e informática educacional figuram entre as principais iniciativas, mas estamos planejamento formas de expandir a abrangência deste bloco. Ano que vem, pretendemos atuar em mais uma frente, focada em empreendedorismo e empregabilidade.

C:A: Qual o montante investido atualmente nas ações e que estrutura sustenta as atividades do instituto?

LL:
Temos uma verba de mais de R$ 5 milhões, mas é importante delimitar que trabalhamos com recursos que não são apenas financeiros. Contamos também com os voluntários da BRF e ativos de geração de conhecimento, bem como de capacitação, de modo que nossa experiência se transforme em saberes que possam ser usados e empregados nas comunidades. Hoje atuamos em 29 municípios, nos quais gerimos 27 comitês de investimento social. São quase 210 funcionários envolvidos. Neste ano, pretendemos chegar a 40 cidades.

C:A: Como funcionam estes comitês?

LL:
Eles podem ter de cinco até 15 pessoas, de maneira que possam ter representatividade de todas as áreas nas nossas unidades. Estes comitês são interfaces que fazem a gestão do investimento social nas comunidades em parceria com as equipes do instituto. Por isso, precisam manter forte diálogo em nível local. É importante saber que as funções nos comitês não dependem de nível hierárquico na companhia. Isso, inclusive, abre espaço para o desenvolvimento de novas lideranças.

C:A: De que forma o Instituto BRF consolida os investimentos legados de Sadia e Perdigão?

LL:
Somos fruto de um forte histórico de atuação de duas grandes companhias. Tomamos estas plataformas como referência e unimos estas frentes ao pensamento de vanguarda corrente em investimento social privado, sintetizado em tópicos como ação glocal, agendas de desenvolvimento em territórios, parcerias para alavancar iniciativas e promoção cada vez maior de trabalhos pautados em engajamento de diferentes stakeholders. É importante frisar que temos um olhar positivo, ou seja, vislumbramos nas cidades não apenas as necessidades, mas também o que há de potencial.

C:A: Um instituto como o de vocês demanda um engajamento consistente junto a parceiros para que as ações tornem-se realidade. Que desafios residem nesta tarefa?

LL:
Cada organização tem um jeito, um tempo, um procedimento. A gente acredita que esse é o caminho para o mundo se transformar – pela união de diferentes saberes. Uma das questões que a gente tem trabalhado muito é a interação entre os comitês gestores de ISP e as equipes do instituto. Os membros do comitê, além de cumprirem a função previstas em seus cargos tradicionais, têm que participar da estratégia, do monitoramento e não apenas da implementação dos projetos. Eles são mesmo vistos como gestores e devem facilitar ao máximo o diálogo nas comunidades e junto ao instituto. Buscamos ter diretrizes claras para uso dos recursos e transparência no reporte de resultados. Quanto mais investimos em conhecimento e aprendizagem, melhor.

C:A: Há previsão para internacionalização das atividades do Instituto BRF?

LL:
As discussões sobre esse tema ainda irão começar. Provavelmente tatearemos isso nos próximos dois anos. O desafio de 2012 era colocar o instituto “na rua”.

*Por Rodolfo Araújo. Esta reportagem foi publicada originalmente no portal Com:Atitude, da Edelman Significa, e agora no Mundo do Marketing de acordo com parceria que os dois portais mantêm.

 

 

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