segunda-feira, 16 de abril de 2012

Venda de carros durante a semana compensa fechamento de lojas aos domingos

Rua da Consolação, centro de São Paulo. O movimento no último domingo estava concentrado em um restaurante famoso. Na concessionária ao lado, o bancário Edson Sanches, 38, encontrou apenas portas fechadas. 


"Quero comprar um veículo familiar, e domingo é o dia mais fácil para reunir a turma. Achei que a loja estaria aberta, vou tentar na outra semana", disse Sanches, que estava acompanhado pela mulher e por dois filhos. 

Mateus Bruxel/Folhapress
Vendedor atende cliente em concessionária de carro em São Paulo
Vendedor atende cliente em concessionária de carro em SP 

O bancário não conhecia as novas regras do setor. Desde 1º de janeiro deste ano, as revendas de carros da capital, da Grande São Paulo e de cidades como Osasco e Guarulhos fecham as portas em dois domingos por mês, seguindo acordo trabalhista entre concessionários e funcionários. 

As revendas funcionavam de domingo a domingo desde de o início dos anos 2000. No final de 2011, a pressão dos vendedores, que queriam folgas, se intensificou, o que culminou no acordo. 

NEGÓCIOS MANTIDOS
 
Passados três meses de implementação das folgas, não houve queda nas vendas, segundo Octávio Leite Vallejo, presidente do Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de São Paulo). 

Os números divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) confirmam a informação do sindicato. No primeiro bimestre de 2012, foram vendidos 488,6 mil carros de passeio e comerciais em todo país -143,4 mil só no Estado de São Paulo. São praticamente os mesmos números registrados em janeiro e fevereiro de 2011 (488,9 mil e 144 mil, respectivamente). 

"A única coisa que vende bem no domingo é pizza. O resto tem boa saída na segunda, na terça, na quarta...", diz Vallejo. Segundo o sindicato, mais de 60% dos concessionários de São Paulo concordaram com o fechamento em dois domingos. 

ADAPTAÇÃO
 
Os fabricantes consultados também não esperam redução nas vendas. " A abertura em todos os domingos beneficiava os clientes, que hoje têm uma vida mais corrida. Eles terão de se adaptar, mas não deixarão de comprar", avalia Gustavo Colossi, diretor de marketing da Chevrolet do Brasil. 

Para o advogado Gabriel Moura, 31, que pretende trocar de carro, o funcionamento alternado aos domingos é uma péssima ideia. "Fechar um bom negócio requer tempo. Não tenho oportunidade de fazer isso em dias úteis".

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