sexta-feira, 16 de setembro de 2011

"Não há invasão. Os chineses são apenas 2% do mercado"

Os fabricantes de veículos acusam os importadores de fazerem uma concorrência desleal, por isso solicitaram do governo por intermédio do Plano Brasil Maior, as medidas para atenuar essa distorção.

Mas quem são os importadores? São os próprios fabricantes. As montadoras instaladas no Brasil são responsáveis por nada menos do que 75% de todos os carros estrangeiros vendidos no mercado interno.
As marcas importadas que não têm fábrica no Brasil - e portando recolhem a alíquota de 35% - representam apenas 25% das vendas, ou 108.861 unidades de janeiro a julho, enquanto as montadoras foram responsáveis pela importação de 344.059 unidades. Os chineses são apenas uma pequena parte disso.
Seis dos dez carros importados mais vendidos no Brasil são trazidos pelas montadoras instaladas aqui.
Não há nenhuma invasão. Os chineses são apenas 2% do mercado. Como isso pode ser chamado de invasão?, questiona Sérgio Habib, presidente da JAC, a marca chinesa mais vendida no Brasil. O empresário diz que culpar os chineses pela alta do estoque nos pátios das montadoras não tem o menor sentido, pois todas as vendas dos chineses em agosto não chegaram a um dia de produção. Foram vendidos 8.841 carros chineses no Brasil no mês passado, quando foram vendidos uma média de 13.341 carros por dia.
Caso não fosse vendido nenhum carro chinês em agosto, o estoque das montadoras poderia cair de 37 para 36 dias, ou seja: a situação não mudaria quase nada, disse Sérgio Habib.
Os importadores argumentam também que a maioria dos carros importados está na faixa de preço acima de R$ 40 mil, não afetando, portanto, os carros de entrada, onde está a maior queda de vendas. Eles responsabilizam a queda de vendas pela diminuição do financiamento, argumentando que as vendas a prazo caíram pela metade em agosto, em relação a julho.
Outro questionamento dos importadores é sobre a inconstitucionalidade da cobrança de IPI diferenciado para carros nacionais e importados, uma vez que já existe um imposto - a taxa de importação - que protege a indústria brasileira dos importados.

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