quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tupperware abre loja virtual, mas segue apostando em reuniões

No ano em que completa 35 anos de operações no Brasil, a Tupperware decidiu facilitar a venda de seus produtos para aqueles consumidores que não fazem ideia de onde encontrar um revendedor ou que não estão dispostos a participar de reuniões domiciliares de demonstração. Sem qualquer campanha de divulgação, a empresa lançou há dois meses no Brasil sua loja virtual e oferece em sua página na internet cerca de 50% do catálogo.

“A gente começou com o e-commerce de forma bem discreta, a gente está aprendendo a conhecer esse novo universo. Mais do que ter um novo canal de vendas, queremos ser uma marca mais acessível”, afirma a chilena Paola Kiwi, presidente da Tupperware Brasil.
Para a subsidiária brasileira, as vendas on-line têm potencial para atingir até 5% do faturamento da empresa no país, que no ano passado registrou um crescimento de 40% nas vendas, enquanto globalmente a alta foi de 7%, totalizando um faturamento mundial de US$ 2,3 bilhões.
Para 2011, a empresa prevê manter o mesmo patamar de crescimento no Brasil. A executiva destaca, entretanto, que não há uma meta para o ano no e-commerce e que a prioridade da companhia continua sendo a venda direta por meio de revendedores.
A loja virtual, que tem as classes A e B como principal alvo, oferece cerca de 50 produtos, dos tradicionais potes e tigelas plásticas a garrafas, lancheiras e utensílios de preparação. Os preços chegam a ser de 25% a 50% mais caros que os oferecidos pelos revendedores.
“Como nosso canal principal é a nossa força de vendas, todas as ofertas e descontos são oferecidos através das revendedoras”, explica Paola Kiwi. “A internet é para aproximar mais esse consumidor que ainda não sabe onde nos encontrar”.Classes C e D respondem por 70% das vendas
Segundo a presidente da subsidiária brasileira, as classes C e D respondem hoje por cerca de 70% das vendas, embora os utensílios domésticos da Tupperware tenham valor médio de R$ 60, geralmente acima do preço dos concorrentes. “O público das classes C e D é mais aberto para aceitar que uma revendedora entre em suas casas”, afirma.
Segundo Paola, a venda direta dos produtos no comércio tradicional já foi testada sem sucesso no passado e “não está dentro dos planos da empresa”. “O grande defeito do nosso produto é que ele não fala, precisa de uma revendedora que explique as vantagens e os benefícios”, afirma.
Ainda que a fórmula soe ultrapassada para as novas gerações, as reuniões residenciais são a base do modelo de negócio da companhia, fundada em 1945 pelo engenheiro Earl Tupper, que revolucionou a maneira de armazenar os alimentos com o desenvolvimento de tampas hermeticamente fechadas.

O foco nas reuniões está baseado na crença de que a demonstração de uso é a melhor forma de tornar os produtos mais atrativos e de convencer a consumidora de o custo do produto pode valer a pena. Estima-se que a cada 1,8 segundo ocorra em algum lugar do planeta uma reunião da Tupperware.

“Uma vez que começa a utilizar, o consumidor não quer usar outro”, diz a presidente da Tupperware Brasil. “A gente não briga por preço. A gente não tem como vender um produto desse, com garantia de 10 anos, por R$ 1,99”.

A marca oferece linhas específicas para freezer, geladeira, microondas e armazenagem de alimentos secos, com sistemas de fechamento diferenciados. Pode parecer uma ofensa para os menos íntimos do universo doméstico, mas a Tupperware defende que é preciso ensinar os seus clientes a, inclusive, abrir e fechar os seus produtos. E não é raro um consumidor ser surpreendido ao descobrir, por exemplo, que é preciso extrair o ar de dentro de um pote para conservar um alimento por mais tempo, ou então, que a tampa da linha para o congelador é feita para abrir em ‘x’, após levantar todos os lados e não um só, para evitar que o plástico congelado quebre.
Talvez um simples manual de uso ilustrativo fosse o suficiente para transferir a “sabedoria” outorgada às revendedoras diretamente para os clientes. Mas foi no período em que a Tupperware deixou as reuniões um pouco de lado no Brasil e passou a focar nas vendas por catálogo que a empresa amargou seu pior desempenho.
Concorrência e recuperação das vendas no país
As vendas da Tupperware caíram “drasticamente” no país entre 1997 e 2003. E, segundo Paola, a abertura econômica e e a chegada de novos concorrentes não foram as principais causas. “O que afetou foi a mudança de direcionamento interno. O nosso erro foi termos nos distanciado daquilo que nos faz diferentes, que são as reuniões. Então, de alguma forma, as pessoas começaram a falar: 'Cadê Tupperware? Não tem mais Tupperware? Não sei quem vende Tupperware!”, explica.
A subsidiária brasileira afirma, porém, já ter retomado o patamar de vendas anterior a crise da virada do milênio. “Nos últimos 5 anos estamos mantendo um crescimento de dois dígitos, com uma perspectiva bem agressiva para os próximos anos”, diz a porta-voz da companhia no Brasil.

Segundo a presidente da operação brasileira, os principais concorrentes não são os fabricantes de utensílios domésticos e sim as outras empresas de venda direta que atuam no mercado.
“A cada dia há um número maior de empresas entrando nesse segmento e cada uma quer colocar um número maior de tipos de produtos”, afirma Paola.

Hoje, uma revendedora da empresa começa ganhando a partir de 26,5% do percentual de vendas. “Temos um mix muito interessante, não é um perfil único. Além de donas de casa, temos estudantes e recém-formados que vêem a possibilidade de um ganho adicional”, afirma.

Para crescer nesse mercado, a empresa aposta na oferta de benefícios aos revendedores, além da expansão de produtos mais sofisticados para o lar e da sua linha de cosméticos, sob a marca Fuller.

A empresa não divulga os números de sua operação no Brasil. "Estamos no grupo dos países que faturam acima de US$ 50 milhões por ano”, limita-se a dizer a presidente da Tupperware Brasil.
No mundo, afirma contar hoje com mais de 2,5 milhões de revendedores. A multinacional atua em mais de 100 países e todos os produtos da marca são desenvolvidos nos Estados Unidos e na Europa. Mas dos produtos oferecidos aqui no país, apenas 5% são importados. No Brasil, toda a produção é feita no Rio de Janeiro, no parque industrial de Guaratiba.

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