quarta-feira, 25 de maio de 2011

Entre o pleno emprego e a falta de qualificação



Muito tem se falado sobre a questão de uma possível situação de pleno emprego no Brasil em breve, mas o que isto significa? Com o forte ritmo de crescimento da economia brasileira nos últimos anos e o desempenho vigoroso do nosso mercado de trabalho, vemos que o desemprego decresce cada vez mais e muitos economistas apontam para o caminho do pleno emprego.


No ano passado, muita gente conseguiu trabalho e o Brasil registrou a menor taxa de desemprego desde 2002, ficando em 6,7%. Em Porto Alegre, a taxa foi a mais baixa, 4,5%. Em Belo Horizonte foi de 5,5% e no Rio de Janeiro, 5,6%.

Em São Paulo, a taxa foi de 7%. Um índice de desemprego de 6%, para os especialistas, já pode ser considerado como um contexto de pleno emprego. E vemos que estes números vêm se mantendo relativamente estáveis, apesar de terem subido um pouco neste começo de 2011. Mas a tendência continua.

A expressão "pleno emprego" para a economia acontece quando o sistema está em equilíbrio.
Num mercado de trabalho onde a oferta de trabalho é definida a partir da disposição do empregado de receber certo salário, o pleno emprego significa que todos os trabalhadores que aceitem receber os salários de equilíbrio são empregados.

O pleno emprego não significa o fim do desemprego, mas ocorre quando o nível de trabalhadores sem emprego se situa em uma faixa que os especialistas definem como friccional, ou seja, quando o trabalhador fica fora do mercado de trabalho por um curto período de tempo, entre 30 e 60 dias.

No Brasil, temos ainda uma questão muito específica, que é o problema da qualificação profissional. Especificamente no nosso setor, vemos que esta dificuldade é gritante, pois além de comprometer o desempenho, os prazos e a produtividade, a falta de qualificação causa muitos acidentes.

Nove em cada dez empresas da construção civil sofrem com a falta de trabalhadores qualificados no setor, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Existem muitas vagas, mas falta gente capacitada para preenchê-las, desde o peão do canteiro de obras até o engenheiro.

De acordo com a CNI, a falta de trabalhadores é maior para os serviços básicos da construção civil: 94% das empresas sofrem pela falta de mão de obra básica, em especial com a escassez de serventes e pedreiros.

Para encarregados e mestres de obra, a falta de trabalhadores qualificados atinge 92% das empresas. Engenheiros e arquitetos faltam em 81% das empresas. Administradores e gerentes são escassos em 63% e 56% das empresas, respectivamente.

O mercado de trabalho brasileiro vive um dilema: em alguns lugares temos a falta da mão de obra qualificada, enquanto em outros observamos trabalhadores sem qualificação para a indústria ou o comércio sobrando.

A questão da qualificação é fundamental para darmos um salto de qualidade no potencial humano dos nossos trabalhadores e imprescindível para uma situação de pleno emprego.

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Cláudio Conz é presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco)

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