quarta-feira, 13 de junho de 2012

Boa notícia, má notícia


Os dois levantamentos mostram um cenário promissor para as mídias em geral, com melhor crescimento para anúncios em cinemas, embora ainda em pequeno volume, além de TV por assinatura, internet e rádio.

 
No primeiro caso, o destaque do Estadão é para o crescimento do mercado brasileiro em comparação com os dos países desenvolvidos: em 2011, o Brasil ultrapassou a Coreia do Sul e se tornou o nono principal destino de verbas publicitárias e pode superar o Canadá e a Itália em cinco anos, tornando-se o sétimo maior mercado.
 
Fala-se em um volume global de US$ 1,6 trilhão em todo o mundo, contando os investimentos em mídia e entretenimento. A China lidera a expansão e deve movimentar em 2012 cerca de US$ 109 bilhões, crescendo a uma taxa de 12% ao ano até 2016.
 
O Brasil, que deve chegar ao fim deste ano com uma participação de US$ 43 bilhões nos próximos cinco anos, tem previsão de crescimento anual de 10,6%. Os dois países se destacam bem acima da média global, prevista em 5,7% ao ano.
 
Expansão do acesso
 
No caso da pesquisa feita pelo Projeto Inter-meios, a Folha destaca o aumento de 13,9% no investimento publicitário no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2011. A publicidade em cinemas, negócio mais ou menos recente no Brasil, é o que apresenta maior taxa de crescimento, 38,45% – provavelmente porque ainda está em processo de consolidação, com um volume incomparavelmente menor do que o dos outros meios. TV por assinatura, com crescimento de 27,14%, internet, com 24,85% e rádio, com crescimento de 14,4%, puxam a conta para cima.
 
O desempenho mais problemático é o das revistas, que tiveram um crescimento de apenas 0,92% em sua receita publicitária no período. Os jornais, com aumento de 5,5%, também ficam no grupo com pior desempenho em relação à média.
 
Uma observação que pode ser feita, ainda que por meio de uma análise superficial dos números agregados pelas duas pesquisas, é que os investimentos dos anunciantes em todo o mundo se concentram cada vez mais em veículos de entretenimento, reduzindo-se proporcionalmente a parcela do bolo correspondente à mídia considerada informativa.
 
Esse fenômeno se repete no Brasil, onde o crescimento explosivo do acesso à internet poderia reverter o quadro, se as empresas que se dedicam preferencialmente ao jornalismo conseguissem rentabilizar suas audiências online.
 
A expansão da internet no Brasil apresenta o maior índice entre todos os 48 países pesquisados pela PwC, com aumento anual de 16,4% previsto para os próximos cinco anos. Na China, onde o acesso à rede também se expande em ritmo acelerado, a previsão é de crescimento de 12,1% ao ano.
 
Redes sociais
 
Uma dificuldade na análise dessas pesquisas se refere justamente à distribuição dos benefícios da receita publicitária. Um setor que apresenta maior faturamento não está necessariamente em melhor posição, considerando-se outros elementos dessa contabilidade, como o custo operacional de cada um.
 
Por exemplo, o custo da redação de um jornal é proporcionalmente muito maior do que o necessário para manter uma emissora de rádio. Além disso, o crescimento dos investimentos publicitários na internet afeta de maneiras diferenciadas cada empresa, criando perspectivas distintas para cada setor.
 
O setor de revistas, que está beirando a estagnação, sofre maior impacto das ofertas de informações em “tempo real” e, em suas versões digitais, não consegue apresentar vantagens sobre a concorrência online.
 
Uma terceira pesquisa, também divulgada pelos jornais na quarta-feira, por exemplo, indica que a publicidade na plataforma de relacionamentos Facebook apresenta maior eficiência sobre o comportamento do consumidor, aumentando as possibilidades de fidelidade às marcas anunciadas. Segundo a consultoria comScore, usuários da rede social que se declaram fãs de determinada marca tendem a gastar até 38% a mais com tal produto do que a média do público.
 
Esse estudo contradiz outras pesquisas, que vinham contestando a efetividade das ações de marketing no Facebook. Essa informação, se confirmada, torna ainda mais difícil a vida das mídias tradicionais.
 
Por Luciano Martins Costa para o Observatório da Imprensa

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