quarta-feira, 2 de maio de 2012

O poder de sedução de imóveis à venda


Quem passa pela rua relativamente movimentada  nos Jardins dificilmente percebe uma pequena vila entre os prédios da via, mas há ali um charmoso imóvel à venda dentre os milhares da cidade – de todos os tipos e tamanhos buscando seduzir os compradores. Conheça, a seguir, três exemplos tentadores desse gigantesco mercado.


A casa dos Jardins tem tijolos aparentes e, de fora, não chama tanto a atenção, espremida entre as edificações tradicionais do conjunto construído na década de 1950. Seu encanto surge, sim, da porta para dentro.

Tudo é novo por lá. Chão de cimento queimado, paredes de tijolos e madeira por todo canto, do piso ao teto. Os atuais proprietários, Lorenzo Ramon, de 34 anos, e Carolina Sabo, de 33, reconstruíram o imóvel – e como bem quiseram – depois de aproveitarem apenas duas paredes da edificação original.

Lembra um loft nova-iorquino, com encanamentos à mostra, e cozinha integrada à sala e ao escritório. A luminosidade é garantida pelo teto de vidro – solução encontrada pelo arquiteto David Bastos para lidar com a falta de opções da casa geminada. Um espaço rústico e sofisticado de 203 metros quadrados avaliados em R$ 2,195 milhões.


O casal mudou-se para lá em julho e, nove meses depois, procura um novo lar. Carolina está grávida de cinco meses e acredita que precisa de outro espaço para criar seu bebê. “Mas dá um aperto no peito porque tudo foi feito com muito carinho”, diz.

A arquitetura ousada é um dos elementos capazes de dar um toque especial a um imóvel. Na Vila Madalena, o prédio Simpatia 236 seduz logo na entrada os possíveis compradores do apartamento 22. Com oito andares, o projeto recebeu prêmio da revista Arquitetura & Construção e menção honrosa do departamento paulista do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP).

A unidade onde moram Samantha Guidio, de 33 anos, sua filha Olívia, de dois, e seu marido, Cláudio Domingues Raimundo, de 34, respeita o conceito do edifício. Na fachada do prédio, os canos estão à mostra para quem quiser ver; no apartamento, os dutos que revestem a fiação também. “Meu pai, mais tradicional, disse: ‘Ainda falta acabar isso’”, brinca a proprietária.

O trabalho da arquiteta Renata Domingues também manteve elementos estruturais, como uma pilastra na área de convívio. A cozinha é integrada à sala, com boa luminosidade graças a uma larga fileira de janelas. E o lavabo, com uma arte em grafite, dá um ar descolado ao espaço.

O espaço é aberto e, para esses moradores, ganhou duas suítes divididas por paredes de drywall. “Mas a pessoa pode fazer o que quiser, até mudar as janelas de lugar”, garante Samantha. Morando há um ano no Simpatia, a família também vai se mudar porque vai ficar maior – Samantha está grávida. Quem quiser substituí-los no apartamento, que tem 114 m², terá de desembolsar cerca de R$ 1,24 milhão.

Menor, com 68 m², o compacto do fotógrafo Beto Riginik, de 38 anos, atrai pelo estilo do morador. A inspiração para o chão de madeira de demolição veio de um imóvel que, certa vez, retratou em Paris. “Reformei o apartamento. Tirei um quarto e fiz um acabamento bacana”, conta ele, que morou quatro anos na unidade, próxima ao Parque do Ibirapuera, na Vila Nova Conceição.

Riginik ainda integrou a sala à varanda e encheu as paredes com imagens. “Você tem de pegar um imóvel cru e deixar o seu registro”, diz. Com a venda, avaliada em R$ 670 mil, construirá outro imóvel. Levará consigo as fotografias, mas deixará elementos curiosos, como um mictório que instalou no banheiro.

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