terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Estrangeiro reforça posição em imóveis e construção

Em São Paulo, o presidente da empresa que leva seu nome, Michael Bamberg, diz que os clientes compram casas para investir

Para atender a demanda de estrangeiros de olho na compra de imóveis no Brasil,  região sem crise financeira internacional batendo à porta, empresas como  Bamberg Imóveis, Coelho da Fonseca, Judice & Araújo e  Ópus têm de ampliar os serviços. “Este é o momento de formar corretores fluentes em pelo menos três línguas, disponibilizar site em inglês e espanhol, além de pensar em montar escritórios fora do País”, diz a professora de Engenharia da Universidade de Campinas (Unicamp), Sandra Mulloc.

De acordo com a agência de investimentos Adit Invest, a movimentação financeira na venda de imóveis a estrangeiros cresceu na casa de 50% ano passado, e este ritmo deverá se manter nos próximos anos. É o que espera a  imobiliária carioca Judice & Araújo, na qual esse tipo de transação compõe 30% dos negócios e a média do valor dos imóveis adquiridos por estrangeiros é R$ 2 milhões.

Em São Paulo, o presidente da empresa que leva seu  nome, Michael Bamberg, diz que os clientes compram casas para investir. “Aqui se consegue rendimento de até 12%; na Alemanha, o máximo é 6%.”  É da mesma opinião  o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo, João Crestana. “Em Londres, um apartamento de classe média vale R$ 15 mil por metro quadrado, mais que qualquer coisa no Brasil.”

No caso da imobiliária paraense Ópus, que iniciou este mês as suas operações de vendas internacionais, Victor Mensini, diretor de Novos Negócios da empresa projeta comercializar, apenas em 2012, cerca de US$ 500 milhões em espaços para investidores externos. “Fizemos um replanejamento da imobiliária e até abrimos um escritório em Miami (EUA), onde estaremos mais perto dos compradores”, disse.

Com a forte demanda de capital externo nos imóveis nacionais, a coreana Hyundai e a chinesa Zoomlion anunciaram, inclusive, a construção de fábricas para a produção de equipamentos para a construção civil no País, ainda em 2012. “Optamos por focar no atendimento para ganhar um mercado que, no Brasil, ainda é muito concentrado”, afirmou o presidente da Brasil Máquinas de Construção (BMC), Felipe Cavalieri. A empresa fechou uma joint venture com a Hyundai para começar a fabricar equipamentos no País.

No primeiro ano de operação, a empresa brasileira importou 858 máquinas e faturou cerca de  R$ 343 milhões. A previsão para 2012, segundo Cavalieri, é de a BMC comercializar cerca de 3,3 mil equipamentos, o que pode gerar receita de até R$ 1,32 bilhão, quando a BMC terá aumentado ainda mais a carteira de clientes.

As empresas internacionais que estão com projetos de aumentar sua presença no País têm um termômetro a seu favor. Segundo a Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema), 60% das vendas mundiais de equipamentos para construção civil acontecerão na China, Índia e Brasil em 2015.  Por isso, algumas asiáticas já traçam planos para fincar sua bandeira aqui.

 

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