segunda-feira, 18 de abril de 2011

Poluição: Algo de novo no ar

O Brasil caminha lentamente em direção à redução na emissão de poluentes na atmosfera. Um exemplo é o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores  – Proconve –, criado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente há 25 anos. E poucas mudanças foram feitas desde então. Entretanto isso está para mudar. Nos próximos três anos as leis contra a poluição do ar se tornarão bem mais rígidas, o que deve a aproximar gradualmente o país de padrões da Europa e dos Estados Unidos. Para os veículos pesados movidos a diesel, o prazo para se adequarem a nova lei é 1º de janeiro de 2012.


Já os automóveis têm datas diferentes: janeiro de 2013 para os movidos a diesel e 2014 para os propulsores do ciclo Otto, ou seja, os veículo movidos a gasolina ou flex. Nos dois casos, as regras servem apenas para veículos comercializados no Brasil a partir das datas estipuladas. "São normas muito importantes, não só para o meio ambiente, mas também para os veículos exportados ganharem competitividade e os números voltarem ao patamar pré-crise" avalia Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.


E, apesar de serem normas que procuram o mesmo objetivo, as soluções para os veículos pesados e os automóveis são diferentes. Para os pesados, o Proconve P7 estabelece que os limites de emissão não podem ultrapassar  2,0 g/km de óxidos de nitrogênio, 0,46 g/km de hidrocarbonetos, 1,5 g/km de monóxido de carbono e 0,02 g/km de material particulado, formado por variadas substâncias nocivas. Os motores diesel considerados de alta rotação, os poluentes mais perigosos são o óxido de nitrogênio – NOx – e os materiais particulados – MP. "No Proconve P7 foi estipulado que esses números caiam 60% e 80% respectivamente em relação à regulamentação anterior" explica Gilberto Leal, gerente de desenvolvimento de motores da Mercedes-Benz. Para conseguir reduzir esses níveis, foi necessária a injeção do ARLA32, um aditivo que purifica os gases do escape, que conta com 32% de amônia em sua composição.


Para os automóveis, a história é diferente. As taxas de monóxido de carbono – CO – caem para 1,30 g/km, de hidrocarbonetos, para 0,05 g/km, de NOx, para 0,08 g/km, e de aldeídos, para 0,02 g/km. "Todo o trabalho para redução no número de poluentes lançados na atmosfera é feito melhorando e modernizando os componentes do motor e os softwares" revela Waldemar Christofoletti, engenheiro da SAE Brasil. O que implica em desenvolvimento tecnológico. "Mesmo assim, tenho certeza de que o Brasil está preparado para receber essa fase do Proconve, a L6. A engenharia brasileira tem sido referência em todo o mundo, principalmente em relação aos motores flex" completa Waldemar.


A resolução do Conama para os pesados ainda prevê uma modificação no diesel vendido no Brasil. Antes comercializado com 500 ppm de enxofre em sua mistura, o combustível agora será mais puro, com apenas 50 ppm do elemento. "Muito por causa disso, a adaptação dos motores para o Brasil não é simples. A qualidade do combustível é fundamental nessa fase" revela Alexandre Parker, coordenador de assuntos governamentais e institucionais da Volvo do Brasil.


Mas tudo tem o seu lado negativo. Com tanta tecnologia embarcada, o preço do produto final promete ser mais salgado. "O cálculo é que os veículos cheguem às concessionárias com valores entre 8% e 15% maiores" indica Gilberto Leal, da Mercedes-Benz. "A médio e longo prazo, o benefício será do meio ambiente. Seria de curto prazo, se houvesse ao mesmo tempo uma campanha de renovação dos veículos. Mas, pelo menos, com a introdução de novas tecnologias, a frota brasileira fica mais moderna" avalia Luso Ventura, da SAE Brasil.

Instantâneas

# Em automóveis com apelo esportivo, a solução para diminuir os poluentes é aumentar e refinar o número de metais preciosos no catalisador. Obviamente, o preço também sobe.

# Tanto o Proconve P7 quanto o L6 foram baseados no Euro V, norma de emissão europeia. Lá, a regulamentação está em vigor desde 2008.

# Em 2014, começa a valer o Euro VI na Europa, que restringe ainda mais o número de poluentes lançados na atmosfera.

# O Brasil saltou as regulamentações equivalentes ao Euro IV. O Conama, avaliou que não havia tempo para desenvolver, homologar e produzir modelos com essas características. O jeito foi dar mais tempo para adaptação e ir logo para a Euro V.

Solução da pesada
Para os motores a diesel dos veículos pesados, a solução para reduzir os poluentes emitidos na atmosfera foi incluir um sistema capaz de purificar os gases provenientes da combustão ainda no escape. O conjunto de equipamentos é conhecido pela SCR – Selective Catalytic Reduction, ou Redução Catalítica Seletiva – e será utilizado por todas as marcas brasileiras nessa fase. "A escolha por essa tecnologia se dá porque, além de melhorar a qualidade do ar e cumprir as normas do Proconve P7, ele ainda oferece uma melhoria no consumo de combustível", destaca Alexandre Parker, da Volvo do Brasil.

O funcionamento do SCR é baseado na injeção de um líquido com 32% de amônia nos gases que passaram pelo catalizador do escape. O ARLA32 – como é conhecido o produto – converte o NOx em Nitrogênio puro e em vapor de água, que são inofensivos à natureza. Para cada litro de diesel, são consumidos 50 ml de ARLA32. Mas existe um lado negativo. Como era de se esperar, é preciso repor o líquido em um tanque especial destinado para ele. "Na Europa, o preço do litro do aditivo é igual ao litro de diesel. Essa proporção é facilmente absorvida pelo mercado. Como no Brasil ele nunca foi comercializado, não tem preço estabelecido" alerta Luso Ventura, da SAE Brasil.


Para diminuir o número de reabastecimento do aditivo, as montadoras brasileiras de caminhões têm instalado um tanque maior, aumentando a autonomia total do veículo. E as maiores redes de postos do país também estão se adaptando para oferecer o produto. Além disso, as revendas das fabricantes de caminhão e ônibus terão o ARLA32 em estoque.

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