segunda-feira, 25 de abril de 2011

Importações batem recorde, e balança tem déficit na última semana

A balança comercial brasileira registrou déficit (importações maiores do que exportações) de US$ 364 milhões na quarta semana de abril, entre os dias 18 e 24, período com três dias úteis, informou nesta segunda-feira (25) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Essa é a sexta semana deste ano com saldo comercial negativo.

O saldo comercial negativo da semana passada está relacionado com o crescimento das importações. Na última semana, as compras do exterior somaram US$ 3,77 bilhões, com média diária de US$ 1,25 bilhão - novo recorde da série histórica do Ministério do Desenvolvimento que tem início em 1995. Até o momento, a maior média diária de importações havia sido registrada na primeira semana deste mês (US$ 1,06 bilhão de média por dia útil).
Segundo os números do governo, as exportações somaram US$ 3,41 bilhões na semana passada, com média diária de US$ 1,13 bilhão. O valor também é recorde histórico, superando a marca registrada na segunda semana de novembro do ano passado (US$ 1,12 bilhão de vendas externas por dia útil).
Parciais de abril
Já na parcial de abril, até o dia 24, a balança comercial registrou um superávit de US$ 696 milhões, resultado de exportações em US$ 14,28 bilhões, com média de US$ 1,02 bilhão por dia útil, e de US$ 13,58 bilhões em importações - ou US$ 970 milhões de média diária.
De acordo com o governo, as importações passaram, entretanto, a subir mais do que as exportações. Na parcial de abril, as vendas externas avançaram 34,6% sobre o mesmo período do ano passado, enquanto que as compras do exterior cresceram 39,9%.
Acumulado do ano
No acumulado deste ano, até 24 de abril, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,86 bilhões, informou o Ministério do Desenvolvimento. Isso representa um crescimento de 133% frente ao mesmo período de 2010, quando o saldo positivo somou US$ 1,65 bilhão.
O aumento do saldo comercial neste ano está relacionado, entre outros fatores, com a elevação dos preços das chamadas "commodities" (produtos básicos com cotação internacional, como alimentos, petróleo e minério de ferro, entre outros) no mercado externo.
De acordo com números do governo, as vendas externas somaram US$ 65,5 bilhões no acumulado deste ano, com crescimento de 30,4% sobre o mesmo período de 2010. Ao mesmo tempo, as importações totalizaram US$ 61,6 bilhões, com elevação de 26,9%.
Ano de 2010 e previsões
No ano passado, com o forte crescimento das importações, fruto do elevado ritmo de crescimento da economia brasileira (acima de 7,5%) e do dólar baixo - fator que encarece as vendas externas e tornam as compras do exterior mais baratas - o saldo comercial ficou positivo em US$ 20,27 bilhões, o valor mais baixo em oito anos.
Os economistas de instituições financeiras acreditam que, mesmo com um crescimento menor da economia (cerca de 4%), mas ainda com um dólar desvalorizado em meio à chamada "guerra cambial", que é o esforço de alguns países para desvalorizarem suas moedas e fornecer melhores condições de competitividade para suas empresas, a balança comercial brasileira deve sofrer nova queda de seu saldo positivo em 2011.
A previsão do mercado financeiro é de que o saldo comercial positivo recue novamente, agora para US$ 18 bilhões neste ano. Na última sexta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidade de representação do empresariado nacional, subiu sua previsão para o saldo positivo da balança comercial neste ano para US$ 20 bilhões.

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