terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Marcas estrangeiras procuram Brasil para driblar crise

 

Com a economia doméstica desaquecida, franquias americanas começam a investir com força nos mercados emergentes e geram oportunidades para empreendedores brasileiros.

São Paulo – Depois da última crise mundial, o interesse de marcas americanas pelo Brasil dobrou. A informação é do Consulado dos Estados Unidos, que tem um departamento para ajudar as companhias conterrâneas a conquistar o mercado brasileiro. 

São Paulo – Depois da última crise mundial, o interesse de marcas americanas pelo Brasil dobrou. A informação é do Consulado dos Estados Unidos, que tem um departamento para ajudar as companhias conterrâneas a conquistar o mercado brasileiro.

“Depois da recessão global, quase dobrou o interesse das empresas americanas. Elas sabiam que precisavam estar no Brasil”, explica Danny De Vitto, Ministro Conselheiro para Assuntos Comerciais do Consulado dos Estados Unidos no Brasil.

A maioria das empresas trabalha no sistema de franquias e chega ao país já com fortes planos de expansão. “A crise foi um incentivo importante para elas virem se desenvolver aqui”, reforça Paulo Rodrigues, especialista de desenvolvimento e negócios do escritório comercial do consulado.

O crescimento da economia e o fortalecimento do real facilitam a importação e a chegada dessas redes. “Entre 1998 e 2005 a vinda de marcas internacionais ficou praticamente paralisada. A partir de 2007, temos recebido pelo menos uma empresa interessada por mês”, relata Paulo Cesar Mauro, diretor da consultoria Global Franchise. “O crescimento substancial do mercado consumidor, com o fortalecimento da classe C, e a chance de sair da crise com a internacionalização são dois fatores que trazem essas empresas para o Brasil”, explica Ricardo Camargo, diretor executivo da ABF.

Gostos parecidos
 
Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), das 140 redes internacionais que exploram a venda de franquias no país, a maioria é americana. As áreas mais populares são alimentação, serviços e negócios, educação e limpeza. “Estados Unidos e Espanha são os dois mercados mais fortes de exportação de franquias para a América Latina”, diz Camargo. Hoje, as redes internacionais representam menos de 10% do total de franquias no Brasil, mas este cenário deve mudar. “A gente espera que em 5 anos elas ocupem 30% do mercado”, diz Mauro.

O consulado costuma ajudar de dez a doze empresas por ano a conhecer e se estabelecer no mercado nacional. “Em 2010, a demanda foi duas vezes maior”, explica Paulo. Além do Brasil parecer um paraíso em comparação com a economia americana, que ainda se recupera da crise e amarga uma taxa de desemprego de 9,7%, temos uma similaridade de gostos. “O Brasil é muito parecido com os Estados Unidos, no gosto pela alimentação e roupas, por exemplo”, explica De Vitto.

Fora das franquias, as áreas mais buscadas são petróleo e gás, aviação, construção civil, engenharia e arquitetura. “Dobrou o interesse também das pequenas e médias empresas em vir para cá porque sabem que o Brasil está crescendo”, conta o ministro.

“O Brasil não é para iniciantes”
 
É assim que Danny De Vitto define o país para as empresas que querem explorar nosso mercado. “Eu oriento a quem não tem experiência em outro país que não venha para o Brasil. O país não é para iniciantes”. Canadá e México são destinos mais amigáveis para começar os negócios internacionais, pela proximidade territorial e de costumes.


Mesmo companhias experientes enfrentam obstáculos ao se estabelecerem por aqui. Um exemplo é a Subway, que chegou ao país em 1993, com 38 operações, e saiu em 2002, com 2 lojas. Depois de um novo estudo, a rede conseguiu se estabelecer e já alcançou mais de 450 restaurantes. KFC, TGI Friday’s e Arby’s também desistiram do Brasil na primeira tentativa.

A estratégia adotada pela maioria das empresas estrangeiras é buscar um máster franqueado, que tem o direito de subfranquear a marca. “Esse é o caminho mais natural. Mas hoje em dia eles estão analisando todo tipo de estratégia, incluindo joint-ventures ou mesmo investimento total da própria empresa”, conta o diretor da consultoria Global Franchise.


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