segunda-feira, 12 de março de 2012

Temporada de chuvas agrava infiltrações; especialistas recomendam ações rápidas

Infiltração é coisa séria. Quando menos se espera, lá está a parede cheia de bolhas na pintura, o rodapé ou o piso de madeira começando a escurecer ou, muito pior, as fundações abaladas. Tempo úmido e chuvas constantes, comuns em grande parte do Brasil ao longo do verão, fazem com que o problema cresça e se agrave. Por isso, é preciso tomar atitudes rápidas que, se bem executadas, são definitivas para solucionar essa dor de cabeça.


“No verão, em particular, existe mais umidade no ambiente devido ao aumento das chuvas, o que piora alguns problemas em imóveis que não foram construídos adequadamente”, alerta o engenheiro civil Marcelo Chaves Zago, que é especialista em impermeabilização e reforço estrutural.

Outra questão que vem se agravando é que nem sempre a tubulação suporta o montante de água. “Nos últimos anos, estão ocorrendo fortes chuvas em um curto período de tempo. Muitas redes de águas pluviais existentes em prédios mais antigos não possuem vazão suficiente para escoar toda essa quantidade de água e transbordam”, alerta o engenheiro civil.

Infiltrações? Saiba como agir

A primeira atitude é encontrar a origem da infiltração, com a orientação de um profissional qualificado. Casos muito comuns e que exigem atenção imediata, especialmente no período chuvoso, são os que afetam os pisos, como na passagem de áreas abertas para a parte interna (varandas, sacadas, áreas de serviço); as paredes externas com aplicação de pedras e outros materiais, em locais com muita umidade e pouca luminosidade (como corredores com muros altos); e os armários que fazem divisão com áreas externas ou úmidas, como banheiro e lavanderia.

“Para identificar umidade nas paredes, observe se existem manchas, bolhas ou reboco solto. A umidade nas paredes pode ser ocasionada por falhas no revestimento externo ou falta de manutenção”, explica o engenheiro Marcelo Zago.

O engenheiro civil Sérgio Ramos reforça que, costumeiramente, infiltrações aparecem por problemas de impermeabilização. “Por exemplo, no piso da sacada é comum o arremate da porta sofrer com as chuvas, porque a finalização da impermeabilização não foi feita com o cuidado exigido, o que provoca a situação de umidade. Em locais com piso de madeira, uma falha de execução provoca um problema crônico, que pode resultar em manchas ou até estragar de vez o piso”, comenta.

E há ainda as ocorrências em telhados, incluindo situações mais graves, com problemas ocasionados por projetos mal-executados, uso de materiais inadequados ou ausência de proteção impermeável, como malhas apropriadas, durante a construção.

Zago alerta que problemas de infiltração em cobertura são os casos mais caros e demorados para resolver. “Em alguns casos, pode ser necessária a substituição completa das estruturas e das telhas”, afirma.

Ainda segundo o engenheiro, vazamentos no telhado podem ser identificados com a observação de pontos úmidos ou escorrimentos nos forros, lajes e paredes. “Podem existir pontos de vazamento ou sujeira nas calhas e condutores, telhas quebradas ou desencaixadas, ou ainda falhas nos arremates do telhado”, diz. Ele frisa que um profissional de engenharia pode analisar o imóvel para conferir se a inclinação está adequada para o tipo de telha utilizada.

Infiltração é problema que deve ser tratado com agilidade. Com o tempo, não apenas a pintura, mas a parede toda pode se deteriorar, o piso ceder, o forro cair. Há ainda o risco de mofo, altamente prejudicial à saúde, dentro de armários e closets expostos à umidade.

“Havendo condições técnicas, não é necessário aguardar o término das chuvas para solucionar problemas de umidade nas paredes. Existe uma grande variedade de técnicas e produtos, por isso é aconselhável procurar um engenheiro para diagnosticar a causa e indicar o melhor método para a correção e proteção da alvenaria”, afirma Marcelo Zago.

De acordo com Ramos, dificilmente um problema sério de infiltração pode ser resolvido com “remendos”. “A solução tem de ser plena. Em uma varanda, por exemplo, com infiltração nas portas para outras áreas, é preciso remover o piso e refazer toda a impermeabilização. Ao fazer apenas o arremate, existe uma chance de êxito, porém o foco de umidade pode estar em outros locais também e o problema não vai ser resolvido por completo”, explica o profissional, que é sócio-proprietário da Kross Engenharia.

Sérgio Ramos comenta ainda que infiltrações mais profundas, especialmente nas fundações, podem comprometer seriamente a estrutura. “A médio prazo, a água pode corroer a fundação com gravidade. A terra tem umidade ascendente e pode atingir a construção, caso não tenha sido feito um sistema de bloqueio. Esse é o tipo mais grave de infiltração”, declara.

Zago frisa que esse tipo de infiltração, normalmente, não dá sinais plenos do foco do problema, o que dificulta sua resolução, mas há indícios. Fissuras e trincas nas paredes, especialmente se formam ângulos de 45 graus, são indicativos de que houve um recalque nas fundações, com movimentação das estruturas. “Assim como no caso das paredes, nem sempre é necessário aguardar o período de seca para a execução das obras”, completa o engenheiro, especializado em impermeabilização e reforço estrutural.

Porém, o “ideal é realizar a impermeabilização positiva, no momento da construção, que previne que a água do solo ‘suba’ para a estrutura. Em casos problemáticos, porém, é realizada uma impermeabilização chamada negativa, que serve para não deixar a umidade aflorar nestas mesmas estruturas”, complementa Ramos.

Em telhados, a simples substituição de telhas quebradas ou seu encaixe correto pode acabar com as infiltrações. Entretanto, se o problema é na inclinação do telhado, existem mantas que podem ser instaladas sob a cobertura. Também há materiais especialmente projetados para impermeabilização de lajes.

Sérgio Ramos lembra que diversos problemas de infiltração em telhados e paredes são provocados pela falta de manutenção em calhas, rufos no arremate do telhado com as paredes laterais. “O ideal é ser precavido. Se o período de chuvas começa em dezembro, faça uma revisão da casa em outubro ou novembro”, orienta.

Por sua vez, Marcelo Zago recomenda que as calhas sejam equipadas com telas ou grelhas que evitam a passagem de folhas e outros objetos para os coletores e o encanamento de água. “Elas são fáceis de encontrar no mercado e muito fáceis de limpar. Se o sistema ficar entupido, às vezes, nem mesmo um "roto-rotter" ou limpadora profissional dá acesso a toda tubulação”, diz.

Zago reitera que muitos casos de infiltração grave são derivados da falta de cuidado com a impermeabilização durante a construção, especialmente quando os moradores levam a obra sozinhos. “O custo da impermeabilização das fundações de uma residência durante as obras é apenas 0,50% do total da obra, mas para a correção posterior, esse custo pode passar de 10% do total”, finaliza.


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário