quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Documento diz que Google favorece parceiras como Motorola no Android

Um documento que faz parte de um processo contra o Google sobre o uso do Java no sistema de celulares Android trouxe uma revelação que sugere que o desenvolvimento do Android “não deve ser aberto” e que o código fonte só deve ser revelado “depois que a inovação estiver completa”.

O documento, divulgado pelo juíz responsável pelo processo e que seria uma apresentação interna da companhia de Mountain View, cita parceiros como a fabricante de celulares Motorola e a operadora de telefonia Verizon, o que pode criar problemas para a tentativa do Google de adquirir a Motorola Mobility.
Na quarta-feira (7), o G1 procurou a assessoria de imprensa do Google, que prometeu dar a posição oficial da empresa sobre o assunto na manhã de quinta-feira.
A Oracle processou o Google alegando que código fonte do Java teria sido usado de forma não autorizada no desenvolvimento do Android. O documento interno do Google foi obtido como parte desse processo judicial e publicado na internet pelo blog FOSS Patents.
Documento divulgado por juíz atribuído ao Google mostra política da empresa no desenvolvimento do sistema Android (Foto: Reprodução)Documento divulgado por juíz atribuído ao Google mostra política da empresa no desenvolvimento do sistema Android (Foto: Reprodução)
O Android é considerado um sistema aberto. Seu código fonte está disponível na internet para ser livremente adaptado e utilizado por fabricantes de diferentes dispositivos, o que contribuiu para seu crescimento como plataforma.
No texto atribuído ao Google, a empresa diz buscar maneiras de tirar vantagens do Android apesar de cedê-lo gratuitamente aos fabricantes de celulares. Alguns fabricantes receberiam o Android primeiro sob a obrigação de aceitar “padrões” estabelecidos pelo Google – como sistema de pagamentos, app store e outros recursos.
“O documento remove qualquer dúvida que alguém poderia ter sobre o Google ter favorecido certos fabricantes de dispositivos Android. Se o negócio com a Motorola Mobility [for aprovado por agências reguladoras], a favorita será a própria subsidiária, é claro”, afirma Florian Mueller, que revelou os documentos em seu blog.
Embora o documento não exclua a possibilidades de auxiliar também outras empresas que fabricam dispositivos com Android, outras alegações da Oracle no processo indicam que o Google estaria mais envolvido com o desenvolvimento do hardware do que a empresa admite publicamente. O Google afirmou previamente que a aquisição da Motorola Mobility não iria resultar em um tratamento favorecido.
O Google já havia entrado previamente em desacordo com a comunidade de software livre quando decidiu não liberar partes do código do Android 3.0 “Honeycomb” feito para tablets. A empresa se defendeu afirmando temer a criação de “experiências ruins” por fabricantes que usariam o sistema de forma inadequada.
Apesar de já estar em uso em tablets como o Xoom, da Motorola, o código do Android 3.0 ainda não está disponível e deve ser somente liberado após ser “combinado” com o Android 2.3 na próxima versão, batizada de "Ice cream sandwitch".

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